sábado, 4 de janeiro de 2014

"Meu amor, tinha tantas coisas para te dizer, mas só me ocorre uma: Estou triste! Os dias têm sido duros e não sei como ainda consigo ter lágrimas para chorar. Sinto que não há remédio, sinto que me levaste tudo quanto havia para levar, bom e mau. Nada do que te possa dizer vai minimizar a gravidade da situação e até acredito que fosse a última coisa que querias/precisavas neste momento.
E lamento, lamento com todo o coração. Mas também não me culpo, se é o que sinto e me ocupa a alma por inteiro. Confesso, gostava que tivesse sido diferente, gostava que os dias continuassem a ter a mesma cor, a cor de sempre que sempre tiveram. Mas, inevitavelmente, sinto-me desrespeitada e não há nada que me magoe mais.
Sinto que nenhuma das nossas conversas ou discussões mudaram alguma coisa. E não há maior dor do que saber que perdi. Eu acreditei em ti, sempre acreditei e tu não tinhas o direito de brincar assim. Mas tentei, todas as vezes em que fui posta à prova. E tentei pra quê? (...) Acho que nem tu sabes o que queres. (...) Sei bem que me tinhas como garantida, e foi por isso que nem te preocupaste muito com as coisas. Tenho pena que seja assim. Só não admito que ponhas em causa o que fiz por ti e por nós, o que passei com a tua vida, a falta de atempo, de atenção, o ter que esperar por segundas ordens para decidir o que quer que fosse na nossa vida. Não admito que duvides de todo o tempo que sempre esperei por ti. E eu acredito que ainda gostes de mim. Mas as coisas fazem-se e acontecem, soam mal e são desagradáveis, magoam e matam aos poucos. (...) Como sempre te disse, e tu nunca acreditaste, gostar não chega. E nós falhamos nas outras coisas.
Queria que o tempo voltasse atrás, tantas coisas teria feito de forma diferente. E peço perdão por todas as vezes em que te magoei, nunca foi minha intenção. Sinto que nos fomos perdendo, e não era para ter sido assim. Eu estou sem chão (...) E a única coisa que tenho feito é chorar, chorar todos os dias e esperar que um milagre leve toda esta mágoa que me sufoca e pinta de negro os meus dias. Um dia, achei que poderia ser diferente. Um dia, sonhei connosco juntos daqui a muito tempo. Um dias, antes de todos estes dias, acreditei que sim. (...)"

Eu dei-te tudo. E tu deitaste tudo fora.
Não devia ter sido assim. E aquelas coisas lindas que me dizias? As promessas que me fizeste? Mentira, tudo mentira. E eu fui realmente feliz a acreditar em tudo.
Não posso fazer mais do que fiz. Todas as oportunidades foram dadas, todos os perdões esgotados, e toda a compreensão utilizada. Não me peças nada. Estou vazia.
Lembro-me de todo o nosso tempo, de cada detalhe, e continuo sem uma explicação lógica para me acalmar a alma. Lembro-me de te ver embevecido enquanto olhavas pra mim e falavas dos meus olhos rasgados e brilhantes e do meu sorriso feliz. Eu ficava bonita, não é? Lembro-me de olhar pra ti e achar que o que recebia de ti era amor. Lembro-me de todas as vezes em que o disseste. Até daquelas em que acordavas a meio da noite e me abraçavas contra o teu peito, enquanto falavas dele (AMOR). Lembro-me dos planos, da ansiedade em cada fim-de-semana, da felicidade a cada reencontro e do olhar triste e o coração desfeito a cada partida.
Lembro-me de sentir que era a sério. Lembro-me de querer tudo isso para a minha vida. Pela 1ª vez e sem perceber nada do assunto, eu senti amor ... por ti. Daquele amor que espera, é paciente, sabe agradecer, ao mesmo tempo que explode e vira "bicho". Eu virei "bicho" muitas vezes, mas em todas elas o amor manteve-se fiel e constante, e voltava ao seu normal rapidamente.
Eu errei outras vezes, e em todas elas me odiei por isso e fiz para que não se repetisse. Estiveste lá para mim, e eu estive para ti nos teus erros.
Não te tiro o mérito de me teres aturado, de levar com as minhas coisas e com o meu feitio. Deste o teu melhor e sei que, apesar de tudo, posso agradecer-te, e agradeço do fundo do coração, todo o bem que me fizeste. Eu fui realmente feliz, lembro-me disso perfeitamente. Os meus olhos nunca te mentiram. E lembro-me de te pedir que não me magoasses nunca.
Hoje, arrependo-me de ter acreditado tanto em tudo. De nada valeu o meu tempo, o meu esforço, as minhas noites passadas em lágrimas pelas saudades, a minha dedicação e compreensão pela tua vida, de nada valeu o amor que te dei. E é por isso que dói tanto e me custa a vida!
Não estiveste bem, fizeste o pior com o pior e esgotaste todos os créditos que eu ainda tinha.
Como dizia alguém "Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter todos os dias outras opções e, ainda assim, fazer sempre a mesma escolha." Eu fiz a minha, todos os dias, e tu devias ter feito a mesma que eu.