terça-feira, 8 de maio de 2012

"O Sol já não brilha aqui, não da mesma forma intensa e cintilante como brilhara outrora. Os dias costumavam ser quentes e confortáveis, arrisco-me a dizer que costumavam ser felizes e cheios de vida. Talvez tivessem sido ingénuos e despreocupados, talvez tivessem seguido o caminho mais fácil, mas faziam sentido, os dias faziam todo o sentido.
A luz já foi chama, já iluminou os trilhos que se faziam a cada dia mais claros e concretos. Porque os trilhos já foram certos e capazes, já tiveram as pegadas marcadas pela coragem e convicção de quem se lança ao desconhecido com  o peito a transbordar de esperança. Os dias já foram dias de glória, repletos de glória."
Encolheu-se perante as suas palavras, pousou o lápis roído pela ansiedade e dobrou o papel. Tinha perdido a razão, a meta, e tinha acabado de se aperceber disso mesmo. Fechou os olhos, enquanto abria a gaveta onde colocou o pequeno papel amassado pela raiva e decepção. Cerrou os lábios e as lágrimas cobriram-lhe o rosto, deixou-se cair na cama e adormeceu embalada pelo cansaço da derrota.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Não preciso que o mundo se revolte e decida seguir outro caminho. Não preciso que o tempo passe mais rápido e me leve. Eu nem preciso que os olhares sejam mais directos e desinibidos. Não preciso que me abracem e me ouçam uma tarde inteira. Não preciso que os cérebros se iluminem e se tornem úteis. Eu nem preciso que o Sol brilhe todos os dias. Não preciso que a constipação passe num ápice e me deixe mais idónea. Não preciso que me mostrem que tenho razão. Eu nem preciso que a conta bancária se encha de zeros à direita. Não que não queira, só não preciso disso agora.