sábado, 1 de outubro de 2011

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Ela sabia. Tinha todos os pensamentos de uma falhada naquela área, tinha todas as sensações, tinha todas aquelas certezas disfarçadas, e até medo de escrever sobre isso tinha, tal era a fobia de se descobrir. Mas, e daí? Mesmo quieta e mesmo calada, ela sabia, e isso bastava para lhe tirar o pouco sono que ainda tinha naquelas noites que passava sozinha.
De qualquer forma, sentia falta. Sentia falta do corpo que se moldava ao dela, quando se deitava; sentia falta do aconchego, do mimo e das palavras bonitas; sentia falta das noites de paixão, passadas em claro, entre suores e palavras mais ofegantes, entre gestos e actos mais tresloucados. E mesmo sabendo, o coração ficava pequenino a cada partida. Sentia tudo e duvidava de tudo isso! Já não sabia se queria, se sentia e se amava. Já não sabia se as coisas se faziam valer. Afinal, ela não sabia. A meio do dia, já se tinha perdido entre as incertezas que existiam na sua cabeça!
Ela não sabia. Dizia sim, dizia amá-lo e chorava todas as vezes que o corpo e a alma esgotavam a força que tinham para suportar a ausência. Dizia querer, dizia que era para sempre e os olhos brilhavam todas as vezes que ele lhe falava daquele jeito e lhe dizia todas aquelas coisas. Quer dizer, então, que sim? Que sabia? Que não sabia? Quer dizer o quê? Se calhar, quer dizer que é amor, amor a sério, daquele que noz faz perder o norte.
No fundo e agora, ela sabe. Tem todos os pensamentos de uma sortuda naquela área, tem todas as sensações, tem todas aquelas incertezas arrumadas, e nem medo de escrever sobre isso tem, tal é o à-vontade. E daí? Mesmo quieta e calada, ela sabe,e isso basta para trazer a paz às suas noites, àquelas noites que passa sozinha. Sente falta. O coração fica pequenino. Sente tudo e não duvida de nada. Já sabe que vale a pena.
Afinal, ela sabe.

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