quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Português (a sério)

É a tua forma de falar, Filipa! Se falasses como as pessoas normais, se calhar, não tinhas quaisquer problemas em fazer-te entender. Mas não, curtes é de frases do género: "Pois, e estou a falar para o éter." em vez daquele simples e usado: "Pois,e estou a falar para o boneco!", não é? É! Então não te admires quando se viram para ti e te dizem: "É aquela tua forma de falar, com aquelas palavras caras.", popularmente falando porque, graças a Deus, não se compram palavras, ainda, e ainda bem porque a esta hora estava mais pobre do que estou.
Na verdade, já me tinham dito isso (sim, no primeiro parágrafo sou eu a dirigir-me a mim, faço-o constantemente, para ser sincera.) mas não liguei, achei sempre que era descabido. Até que hoje, volto a ouvir o mesmo discurso e ousei pedir que me explicasse com exemplos concretos, só para me certificar. O resultado? Raios! Vi-me obrigada a declarar como facto essa opinião mundana e geral que esta gente possui acerca de mim. E mais, vi-me confrontada com exemplos dos quais não me lembro nem fazia ideia que seria capaz, um dia, de os dizer. Eu expliquei-me: "Eu explico-te Francisca, as frases que as pessoas usam no dia-a-dia perdem a piada e são vulgarizadas.", e é verdade. Eu tento só dar outro ar à cena! Acho hilariante o que o meu inconsciente faz sozinho, acho assustador que o meu cérebro assimile e tome, ele próprio, o controlo das minhas palavras sem, sequer, me dar conhecimento. Uma palavra: medo! 
Agora percebo, agora faz-se luz nesta escuridão em que o meu raciocínio se encontrava, agora faz sentido! Por isso é que me questionam sobre o significado de um ou outro vocábulo, de vez em quando. E eu que sempre culpei a capacidade débil de quem o faz ou então, meramente, a falta de interesse na Língua Portuguesa. E com isto, eu deixo um conselho: Interessem-se; Leiam (até o dicionário, se quiserem. Eu faço-o às vezes. Weird --' ); Escrevam; Saibam utilizá-la (a Língua Portuguesa) correctamente (porque devo dizer, às vezes, assusto-me quando vou Blog fora e apanho erros em palavras básicas que tiram todo o brilho ao que está escrito e pretende ser transmitido. E é uma pena!); Achem-se à vontade com ela, dominem-na e naveguem nos imensos termos que possui. E vão ver, falar e escrever português (a sério) é a melhor coisa do mundo! (eu tento sempre, é a minha política e luta.)


(Aposto que vai chegar aqui alguém, vai ler isto e dizer: "Esta gaja tem a mania que é esperta e toda intelectual!", mas é que aposto mesmo. Para que esse tipo de situações seja, devidamente, esclarecido: é mentira. Não me acho nada disso, nunca achei, só desabafei uma realidade minha que me fizeram ver. Eu não sou uma pseudo-sábia ou pseudo-intelectual, de todo. Só gosto de escrever e falar bom português. E sim, se tiver que me espetar contra um erro ortográfico ou de dicção gosto que mo digam. Acho de bom tom, na verdade.Porque, afinal, temos que ser uns para os outros. ) Ah, e apologistas do Novo Acordo Ortográfico, lamento, mas não me identifico e tenho-o como deplorável, por isso mesmo, o meu português é o antigo e anterior a essa nova configuração das palavras.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tenho dito.

E, hoje, disseram-me, na maior das latas: "Não sei como é que tu não tens uma depressão!". Fiquei atónita e questionei: "Serei eu assim tão triste, Meu Deus? Não tenho razões para viver, é?". Raça da miúda chega aqui, obriga-me a ir ao portão, diz-me umas tretas e remata a conversa com isto! Ai e tal, para remendar a situação ainda me diz: "É que eu se puser uma pessoa normal ao teu lado, não tem nada a ver!". Pior foi a emenda que o soneto! Como se não bastasse ainda me chama anormal assim, descontraída, como se nada fosse. Raios partam! Correcto e afirmativo. Crucifiquem a besta (ou seja, eu)! Crucifiquem o animal que ele não é deste mundo! Já uma gaja não pode ter a mania que é engraçada, dizer umas piadas (tristes na maior parte das vezes), ser irónica (o que não agrada a muito boa gente e até já me disseram que não me fica assim tão bem. Who cares? --' ), parvalhona, metida a besta (se calhar, literalmente!), com a mania que é inteligente e que sabe sempre do que fala, cheia de explicações para tudo (até para o que, aparentemente, não tem), teorias abomináveis e repletas de arestas bicudas... Quê? É crime? É fora do comum mortal? Se calhar, não. Então, parem um bocadinho, que aqui a insciente não é nada de especial nem digna de ser colocada a um nível superior àquele que, se calhar, é o merecido e, mais, tem tantas razões para ser deprimida como o Real Zaragoza para dar 8,6 milhões de euros pelo Roberto! (agora? Como dizia um Ex Primeiro Ministro inútil: "Façam as contas!")


(Já agora, ATENÇÃO: Isto não é de quem ficou magoado/triste/afectado com o acontecimento. Bem pelo contrário, achei um piadão àquele : "Não sei como é que tu não tens uma depressão!", só porque nunca tinha visto a cena dessa forma! Na volta, tenho todas as razões do mundo e não sei. Não interessa, "façam as contas!" vocês. Eu lavo as minhas mãos.)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Amor de Perdição"

Simão Botelho:
"Considero-te perdida, Teresa. O sol de amanhã pode ser que eu não o veja. Tudo, em volta de mim, tem uma cor de morte. Parece que o frio da minha sepultura me está passando o sangue e os ossos.
Não posso ser o que tu querias que eu fosse. A minha paixão não se conforma com a desgraça. Eras a minha vida: tinha a certeza de que as contrariedades me não privavam de ti. Só o receio de perder-te me mata. O que me resta do passado é a coragem de ir buscar uma morte digna de mim e de ti. Se tens força para uma agonia lenta, eu não posso com ela.
Poderia viver com a paixão infeliz; mas este rancor sem vingança é um inferno. Não hei-de dar barata a vida, não. Ficarás sem mim, Teresa; mas não haverá aí um infame que te persiga depois da minha morte. Tenho ciúmes de todas as tuas horas. Hás-de pensar com muita saudade no teu esposo do céu, e nunca tirarás de mim os olhos da tua alma para veres ao pé de ti o miserável que nos matou a realidade de tantas esperanças formosas.
Tu verás esta carta quando eu já estiver num outro mundo, esperando as orações das tuas lágrimas. As orações! Admiro-me desta faísca de fé que me alumia nas minhas trevas!...Tu deras-me com o amor a religião, Teresa. Ainda creio; não se apaga a luz que é tua; mas a Providência Divina desamparou-me.
Lembra-te de mim. Vive para explicares ao mundo, com a tua lealdade a uma sombra, a razão por que me atraíste a um abismo. Escutarás com glória a voz do mundo, dizendo que eras digna de mim. (...)"