terça-feira, 19 de abril de 2011

primeira pessoa do plural

As palavras nem sempre disseram aquilo que eu queria que tivessem dito. Às vezes, não fizeram jus ao que, realmente, sentia. Outras vezes, mostraram mais do que era suposto. Mas são, apenas e só, palavras! Sabes, tantas vezes quis dizer "Sim!" e o único vocábulo que ousava manifestar-se era "Não!". Tantas vezes quis mostrar-me indignada e verbalizar um "Não!" redondo, mas somente sorri e disse que "Sim!".
Tu! Tu fazes com que eu perca a noção das coisas. Fazes com que o significado que lhes dei toda a vida mude, num ápice. Fazes com que o meu sentido e direcção que sempre tiveram um objectivo e uma rota, se percam e se confundam. E foste tu. Foste tu quem me deu um novo rumo. Quem me fez ver que, se calhar, nem tudo é preto no branco. Foste tu que me fizeste ver o mundo através dos teus olhos.
Eu! Eu sinto-me outra, por mais vaga e batida que seja a expressão, sinto mesmo. Cresci ao aprender a não pensar no singular; cresci ao tomar a tua dor, vezes sem conta; ao errar contigo e a levar na cabeça; ao ser magoada; cresci enquanto os teus olhos foram brilhando cada vez mais; cresci ao saber que sou a coisa mais importante da tua vida; cresci quando me disseste aquilo, ao ouvido, enquanto olhava o mar; cresci quando percebi que tenho alguém comigo, alguém que precisa de mim, como nunca ninguém precisou; alguém que depende do meu bem estar; alguém que está lá para me limpar as lágrimas e para me dizer, do nada, o quanto gosta de mim; alguém que fica a olhar para mim, embevecido; a dizer-me as coisas mais parvas e bonitas que alguma vez ouvi.
Cresci quando aprendi a amar. E, hoje, agradeço-te por isso.

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