sábado, 19 de março de 2011

felicidade era, naquela madrugada, estar viva.

Sem que as palavras tivessem tomado conta da boca, sem que, sequer, tivessem ousado fazê-lo, ouviste-me melhor que ninguém. Ouviste o meu silêncio ensurdecedor e ficaste ali, só a entender o meu respirar ofegante e a limpar as lágrimas dos meus olhos. E aquele momento durou para sempre, as tuas mãos passaram no meu cabelo e no meu rosto eternamente sem que nada nos fizesse mover. Fiquei ali, enterrada nos teus braços, a sentir-me, realmente, tua (como nunca o sentira), no meu desafogo, na minha tentativa de reanimação. Sem nunca falar, sem nunca ouvir uma questão, um comentário da tua parte, sem nunca sentir qualquer tipo de pressão e sem me mexer, tu ficaste até ao fim. Tu ficaste até que as lágrimas secassem e o soluçar tivesse terminado! Ergui os olhos e tu continuavas a olhar-me, como que a decifrar cada gesto meu, continuavas ali como sempre estiveste. E eu? Eu não fugi com vergonha, não tive medo de admitir a fraqueza daquele momento, e abracei-te como se abraça o tempo, com toda a minha força. Os meus olhos brilharam, senti-o pelo teu olhar enternecedor e sem jeito. Sem que aquela paz fosse constrangedora, apenas verbalizaste: "Vou ficar contigo para sempre!". Nada era mais importante do que isto, nada me fazia mais feliz. Porque a dor, essa, já não dói. Mas os olhos, esses, ainda brilham.

1 comentário:

  1. Tu aqui? és mesmo tu Ju? Desculpa a minha surpresa, mas se não fosse o teu comentário a chamar-me "Maria Susana" nunca teria entrado aqui e reparado que em ti! ahahah, bem vinda de volta meu amor. e como já é normal, que maravilha de texto! <3

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